15/06/2009 ARTIGO: Afinal, que é Tecnologia Social?
Prof.Valci Vieira dos Santos Professor e Diretor Acadêmico da FASB Professor do Campus X da UNEB
A expressão “Tecnologia Social” foi criada em 2004. Para a elaboração deste conceito, várias instâncias da sociedade contribuíram, dentre elas, o poder público, organizações não-governamentais, instituições de ensino e pesquisa, movimentos populares, etc. Considera-se, pois, tecnologia social “todo produto, método, processo ou técnica criados para solucionar algum tipo de problema social e que atendam aos quesitos de simplicidade, baixo custo, fácil aplicabilidade e impacto social comprovado”. De lá para cá, inúmeros esforços têm sido envidados, no sentido de torná-la, cada vez mais, alvo de nossas atenções, haja vista o que ela significa e suas possibilidades de transformação social. Assim, no âmbito de suas propostas, encontram-se vários objetivos, quais sejam: incentivar descobertas nos campos técnico e metodológico, a fim de viabilizar projetos com vistas a essa transformação social; contribuir com as discussões voltadas para a construção, deliberação e execução de projetos que visem à melhoria da qualidade de vida, sobretudo das populações carentes, de preferência com a participação de cidadãos das comunidades; e funcionar como estratégia para o desenvolvimento sustentável. Exemplos de tecnologia social não faltam. As mais simples iniciativas e de custo reduzido são capazes de gerar renda e emprego, desenvolver técnicas acessíveis às camadas mais desprovidas de educação formal, contribuindo, eficazmente, para a inclusão social com sustentabilidade: a mistura de água, açúcar e sal combate a desidratação e reduz os índices de mortalidade infantil. É o nosso velho conhecido, soro caseiro; cisternas de placas pré-moldadas, responsáveis por atenuar problemas de secas em regiões áridas; sistema de captação de água de chuva viabiliza a produção de alimentos no semiárido; maquinários simples, porém dotados de alta eficiência, dão conta de desenvolver técnicas igualmente positivas na produção de aquecedores solares de baixo custo, fogões ecoeficientes, total aproveitamento do coco babaçu, sanitários compostáveis, sistemas de produção agroecológica; manejo comunitário do camarão de água doce; criação de pequenos pólos de corte e costura, artesanato local; criação e desenvolvimento de sistemas econômicos solidários, voltados para a concessão de linhas de microcrédito alternativo para a população de baixa renda; elaboração de projetos destinados ao aprimoramento cultural – “Ler e Escrever são o melhor remédio”, por ex.; criação de bibliotecas em parceria com a iniciativa pública e privada. Eis algumas das iniciativas que já foram colocadas em prática, em diversas regiões brasileiras, muito bem discutidas e apresentadas durante a 2ª Conferência Internacional de Tecnologia Social, realizada em Brasília, nos dias 15, 16 e 17 de abril último. Mas que também será alvo de discussões no II Seminário de Iniciação Científica da Faculdade do Sul da Bahia – FASB, previsto para os dias 22, 23 e 24 de outubro de 2009, quando professores, alunos e comunidade terão a oportunidade de apresentar comunicações, paineis, projetos de pesquisa, etc., inclusive com a participação de escolas de ensino médio, das redes pública e privada. Enfim, é preciso, em verdade, pensar em iniciativas que alcancem os menos favorecidos; que tornem reais possibilidades a princípio inalcançáveis; que reduzam o fosso que separa cidadãos extremamente aquinhoados daqueles que nada ou quase nada têm. Com base nessa visão, de acordo com artigo publicado em outubro de 2006, no Portal da RTS – Rede de Tecnologia Social, “o ideal é que as tecnologias sociais tenham os seguintes componentes: a) participação da comunidade; b) baixo custo; c) organização social; d) sistematização; e) reaplicabilidade; f) acompanhamento e g) avaliação. A conjunção desses esforços ou, pelo menos de grande parte deles, certamente contribuirá para combater problema(s) que afete(m) os indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).